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Para quem nas
suas viagens se deslocava pelo rio ou por terra, a Casa do Tua desde
há um século que faz parte da paisagem e é ponto de referência
incontestado.
A massa
construída na margem do Rio Douro, é para quem a vê ao longe, a
imagem de um abrigo, como os seus contrastes em xisto que parecem
ter criado raízes nas águas.
No primeiro
registo conhecido do conjunto, datado de 25 de Outubro de 1909,
encontra-se a seguinte descrição:
“ Prédio Rústico
– terreno onde está uma casa composta com uma sala para
estabelecimento comercial, um corredor, onze quartos, uma sala, uma
cozinha, ainda outra cozinha e uma varanda com retrete.”
A paisagem e a
história do Tua têm esta casa como cenário desde que a lembrança dos
homens, nas suas deslocações, fez deste local ponto de paragem
obrigatório. Ao longo dos anos, sem nunca de uma forma ou de outra
deixar de estar ligada as lides do povo que residente quer de
passagem, era em 1936 considerada a casa comercial mais forte e
conhecida do concelho, existindo até na sua história a
particularidade de ter servido de sala de cinema, na altura dos
primeiros filmes mudos. Aquando de construção da ponte, em 1940,
mais uma vez a casa prestou os seus serviços, transformando-se
depois em dormitório da Empresa Geral de Transportes (E.G.T),
situação que se manteve por diversos anos, enquanto esta empresa
fazia transbordo de mercadorias do comboio da Linha do Douro para a
Linha do Tua.
O tempo que
demoraram os desentendimentos sobre a necessidade e vantagens da
linha de caminho de ferro, assim como sobre a navegabilidade do Rio
Douro, para além de outras questões menores que hoje pertencem ao
passado, foi necessário para que se arruinassem paredes e telhados
que a tantos anos tinham resistido.
Hoje, com uma
consciência e sensibilidade diferentes, procura-se e pretende-se
recuperar o que o tempo e o esquecimento dos homens deixou ruir, com
a vontade e a certeza de que, o que tantos elegeram como local de
chegada e partida, o possa e deva continuar a ser.
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